sexta-feira, 11 de maio de 2012

Maconha: A fábula do preconceito. Uma história que não pode ser contada.


Desde criança que ouço usarem a palavra “maconheiro” para fazerem referência aos marginais, bandidos e principalmente a adolescentes baderneiros e infratores. Desde menino que ouço algum desavisado dizendo que maconheiro não presta, que deveriam ser todos presos ou exterminados. Quando são, menos tolos e se julgam superiores, dizem: “coitado. Ele é assim porque não sabe o mal que a droga faz. É um viciado”. Desde criança que ouço pais de famílias afirmando que é preciso ter cuidado com pessoas estranhas, cheias de piercings e tatuagens, que podem estar vendendo drogas disfarçadas de doces na porta das escolas.



Mal sabem eles que os supostos “maconheiros” podem não estar necessariamente ligados a estas características. Mal sabem eles que o ato de fumar canabis não leva necessariamente uma pessoa a bater carteira. Ou pior, nem suspeitam que não em raras ocasiões, quem oferece um baseado ou outras substâncias para a galera são seus próprios conhecidos. Quase sempre gente que conhece a família do cara, gente de confiança. São os "caras gente boa. Os caras boa pinta”.


O preconceito é algo que está impregnado na nossa sociedade. Sinto que há uma má vontade de que descubramos algo escondido nas entrelinhas. Parece que buscam usurpar o nosso direito a informação real das coisas. A superproteção dos pais é necessária, é o papel deles. Se seus pais não te privarem das coisas ruins quem o faria? Ninguém. A proteção dos pais não é questionável. Isso é uma coisa, mas crescer e não buscar o porquê das coisas é tolice.




A população brasileira, em sua maioria, infelizmente é ignorante em relação a droga chamada popularmente de maconha, e isso é uma tristeza. A mídia e os políticos, que deveriam promover o esclarecimento da população em geral, buscam desviar o assunto ou tratá-lo somente como algo desnecessário. A justificativa é: Maconha é ruim é ponto final. É difícil explicar agora, em todas suas vertentes, algo que desde sempre foi nos enfiado goela a baixo como deturpador e destruidor de lares.


Para quebrar o mito de que a maconha é a porta de entrada para outras drogas é que se faz necessário que as pessoas busquem informações sobre o assunto, debatam o tema com maturidade e procurem ver estudos científicos que divulgam o fato. Procurem saber por que o álcool é sempre aceito pela sociedade. Porque pais de família, em muitas das vezes, não proíbem os filhos de 13 ou 14 anos a consumi-lo e incentiva desde criança o seu uso, mesmo inconscientemente, pedindo pra buscar uma caixinha de cerveja no mercado da esquina. O álcool pode ser a porta de entrada para as outras drogas e ninguém toca no assunto. Seria porque o marketing sobre o álcool é feito diariamente e todo mundo tem direito de beber umazinha? Seria porque o IPI sobre bebidas alcoólicas, um dos mais altos sob produtos industrializados, faz bem pro governo? O tabaco também pode ser porta de entrada para outras drogas e não se fala muito nisso. Seria porque as empresas do ramo geram bilhões de reais em lucro para os cofres públicos, e esses mesmos bilhões não são investidos em saúde pública no que se refere a problemas decorrentes do cigarro?



Álcool e tabaco são mais danosos, mais nocivos, mais viciantes que a marijuana e isso deve ser esclarecido. O inegável está ai, mas continuam a fazer da maconha a maior vilã. A canabis vem sendo usada em pesquisas de campo no auxílio a dependentes de crack e cocaína (relaxa e diminuí o estresse decorrente da síndrome de abstinência da química). Há anos ela vem sendo usada em vários países no tratamento de pessoas com glaucoma e nem por isso os doentes ficam viciados. Essa mesma “vilã” é coadjuvante no tratamento de pessoas com câncer (aumenta a fome e tem efeito analgésico) em vários estudos que estão dando certo e isso não é mostrado. Maconha, álcool e tabaco são drogas que podem prejudicar a saúde? Sim. Mas não necessariamente nesta ordem. O consumo vai da consciência de cada um. O preconceito também.



A legalização seria um passo importante para todo o processo. O Brasil caminha a passos lentos para tal perspectiva. Quantas crianças não seriam afastadas do tráfico? Quantas guerras entre quadrilhas rivais ou entre traficantes e polícia seriam evitadas? Quantas vidas não seriam poupadas com o fim das trocas de tiros principalmente nas periferias? Se álcool e tabaco são vendidos na conveniência da esquina e o governo agradece por isso, qual o problema de regularizar a venda também da canabis? Com a arrecadação gerada sobre o produto seria sábio investir em saúde, educação e segurança pública, em combate a corrupção e em campanhas educacionais sobre a droga. A repressão ao tráfico, que sempre existiu e sempre existirá, é de suma importância, no entanto se a maconha fosse liberada os consumidores conscientes com certeza não alimentariam o tráfico. O consumo sempre existiu e sempre existirá. Estados Unidos, Espanha e Portugal caminharam alguns passos rumo à legalização e a marginalidade e a violência resultante do tráfico caíram consideravelmente. A forma como é feita a repressão no Brasil resulta no aumenta da violência e do consumo.


Não é uma questão de defender o uso da maconha. Não é aprovar o uso da planta como opção medicinal. Não se trata de fazer apologia ao uso da droga. Isso é apenas um manifesto para que as pessoas busquem compreender melhor o que se passa a nossa volta e parem de “entender” as coisas segundo ideologias préconcebidas. Quando compreendermos que somente o conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento humano teremos uma sociedade com ordem e progresso.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma crônica sobre a mulher...

Por Rogério Rodrigues
Hoje, sexta feira, 09 de março de 2012. Um dia após a data dita e conhecida como Dia Internacional da Mulher. Data esta que infelizmente tem como origem manifestações de mulheres por todas as partes do mundo, especialmente as russas quando lutaram por melhores condições de vida e de trabalho. Não gosto de pensar em uma data única, uma data imposta e baseada em fatos que sim, tiveram relevância para mudar a história da mulher em todo mundo, mas que não são únicos e exclusivos. Sabe aquela frase já manjada de que o Dia da Mulher deveria ser todos os dias? Não deveria ser. Já é.

Hoje na minha vontade de escrever sobre mulheres, talvez um tanto quanto atrasado, pensei em publicar imediatamente o que eu penso sobre elas, resumidamente, claro.

Nós, homens, independente de como sejamos, nunca alcançaremos a graça e a força de uma mulher. Como li outro dia, não querendo usar uma expressão xucra ou machista, mas “devemos tudo o que somos e o que temos a caverna sagrada, por onde entramos nesse planeta e de onde saímos para chegar até aqui”. Homem nenhum suportaria a função de dar a luz e muito menos teria a capacidade de ser algo tão majestoso como ser Mãe.

Mas ser mulher não significa somente ser mãe. Apesar de este ato só poder ser sacramentado por elas. Mulheres de todas as idades, crianças, adolescentes, jovens explodindo de estrogênio, mulheres adultas e as já na melhor idade, todas, são merecedoras de toda gratidão masculina, de nossos desejos e de nossas eternas transformações. Sim, transformações, porque tudo que fazemos ou alteramos em nós é por elas, e isso, por mais que alguns homens recusem a assumir, é algo inegável. 

Por essas e outras que as mulheres devem cada vez mais se valorizar. Não suportem machismo, não suportem violência e nem abusos, não permitam atos contra sua integridade, não estimulem a cultura da mulher objeto. Só vocês podem realmente mudar o pensamento e as atitudes de nós, homens trogloditas.

Não raras vezes penso que minha maior felicidade seria por um dia conseguir interpretar a alma de uma mulher, entender sua mente e seus anseios que na maior parte do tempo nos apresentam como algo fora da compreensão humana. Mas afinal, que graça teria? Se nós humanos somos divididos em somente duas classes, homens e mulheres, e se nossas mentes fossem compreendidas por ambos não teria mistério algum. E o que move nós homens é o mistério da alma feminina. Mulheres, vocês nunca foram o sexo frágil. Vocês sempre foram a nossa maior conquista. Nós amamos vocês.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quilombo Chico Moleque. Símbolo de resistência e autonomia em Santa Rita do Araguaia

Foto: Ascom Incra.Sede

Por Rogério Rodrigues
 
Talvez quando falamos em comunidades quilombolas a primeira idéia que vem na cabeça de muita gente seja a de uma população de negros, remanescentes de escravos e isolados da sociedade. Essa idéia a princípio é facilmente compreendida. Nosso país foi símbolo da escravidão em todo mundo, e a idéia do negro escravo que foge do domínio de senhores de engenhos e se refugiam na mata ainda permeia nossos pensamentos.

Em princípio os quilombos surgiram realmente como uma forma de se rebelar contra o sistema escravagista. Mas muitos ainda se assustam quando se deparam com a informação de comunidades quilombolas presentes e atuantes na atualidade.

Mais afinal onde estão os quilombolas?

Foto: Rogério Rodrigues/Cachoeira do Sucurí
Eis que surge em Santa Rita do Araguaia o início de um novo quilombo em pleno século XXI, passados mais de cem anos de extinção do sistema escravocrata. Neste pedaço de Goiás, próximo do Rio Araguaia e do Córrego das Perdizes residem 11 famílias que buscam preservar seus costumes e enaltecer sua identidade.

A comunidade que leva o nome de seu herói traz em suas raízes uma história de lutas e glorias. Quilombo “Chico Moleque” talvez seja o que de mais rico nosso município abriga em termos culturais, e sem sombra de dúvidas é seu maior patrimônio de história brasileira e afro descendente.

Remanescentes do Quilombo do Cedro, também localizado no município de Santa Rita do Araguaia, mas bem mais próximo do centro urbano da cidade de Mineiros-GO, as famílias do “Chico Moleque” estão conquistando agora sua independência em termos territoriais.

Há pouco mais de três anos conquistaram juntamente ao INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) o direito a terra. São 432 hectares divididos em 11 lotes. Ainda faltam algumas questões para que o Projeto Assentamento (PA) “Chico Moleque” esteja totalmente regularizado, mas os bons ventos já começaram a soprar a favor dos quilombolas.

Políticas de desenvolvimento para o PA Chico Moleque

No dia 25 de maio vários representantes do Governo Municipal do município e de outras entidades constituídas participaram de um encontro no PA Chico Moleque para tratarem de diferentes assuntos que visam a melhoria da condição de vida dos quilombolas.

Foto: Rogério Rodrigues/Reunião no PA Chico Moleque
Tânia Salgueiro, Secretária de Promoção Social de Santa Rita do Araguaia e uma das idealizadoras da reunião, falou aos assentados sobre a importância de se cadastrarem junto a secretaria de assistência social e de comprovarem sua moradia no município, enfatizou ainda “eles tem direito, assim como toda população, de participarem das políticas públicas de assistência social e educação, por isso devem se cadastrar, só assim poderão comprovar sua filiação junto ao município.”

Um dos pontos altos da reunião foi o interesse do Governo Municipal de incentivar os quilombolas de participarem ativamente da Feira Municipal. Se concretizada a ideia, os assentados pederão optarem por mais um dia de feira livre durante a semana para que a população não fique somente dependente dos sábados, quando tradicionalmente a feira funciona. Desta forma os quilombolas poderão ampliar a renda familiar inserindo aindfa mais seus produtos e costumes na sociedade que muitas vezes é desprovida de informação destas comunidades.

A incorporação de cooperativas no desenvolvimento da comunidade

A formação de associações e cooperativas pode  influenciar diretamente na renda e no desenvolvimento do Quilombo Chico Moleque. O Governo Municipal pode adquirir de produtores rurais que se adequam às especificidades da Agricultura Familiar alimentos para suprir a demanda da merenda escolar nas escolas municipais. Produzindo respaldados nas vantagens das cooperativas os quilombos podem fornecer hortifrutigranjeiros de qualidade que serão adquiridos com facilidade pelo governo e comercializados facilmente na zona urbana.

Por lei trinta por cento de toda demanda da merenda escolar do município deve ser oriunda da Agricultura Familiar. O Governo Municipal demonstrou na ocasião o interese de adqurir uma porcentagem bem maior desses gêneros alimentícios.

A legalização das terras do quilombo Chico Moleque

O Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Clovis Assis, está fazendo um trabalho em prol da regularização definitiva das terras do assentamento e crê que ainda no ano de 2011 o quilombo estará regularizado, junto a todas as instâncias necessárias que abordam a legalização territorial brasileira.

Foi principalmente com a Constituição Federal de 1988 que a questão quilombola entrou na agenda das políticas públicas. Fruto da mobilização do movimento negro, o Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) diz que:

“Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos.” 

Parceiros

As propostas de investimentos e ampliação de renda atrelada ao apoio técnico já começaram a surgir. Na oportunidade o Banco do Brasil, através do gerente da agência de Alto Araguaia, Evandro Bohrer apresentou o DRS - Desenvolvimento Regional Sustentável. O plano do DRS é apoiado pelo Governo Federal e a partir do próximo semestre as taxas de juros para a agricultura familiar cairão de 4% ao ano para 0,5 a 2% ao ano.

O SEBRAE é um dos parceiros do Quilombo Chico Moleque. Com o PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável o SEBRAE objetiva melhorar a qualidade de vida e proporcionar sustentabilidade para as comunidades atendidadas, estimulando a prática da agricultura orgânica.

Foto: Rogerio Rodrigues/Galinheiro Mandala construído no local
O representante do SEBRAE Ademar Neto, explica que “No PA já existem famílias que construíram técnicas de produção embasadas no PAIS e recebem nosso apoio estrutural e técnico. É o caso do Miguel Cruz de Moraes, quilombola que está construindo um galinheiro apoiado neste projeto”.


Quilombo - símbolo de resistência e autonomia

Os quilombolas, sejam de Santa Rita do Araguaia ou das outros 2 mil quilombos espalhados pelo território brasileiro, não pertencem somente ao nosso passado escravista. Tampouco se configuram como comunidades isoladas, no tempo e no espaço, sem qualquer participação em nossa estrutura social.

Fonte/nosrevista.com
Ao contrário, as comunidades quilombolas mantêm-se vivas e atuantes, lutando pelo direito de propriedade de suas terras consagrado pela Constituição Federal desde 1988.

O que caracterizava o quilombo, portanto, não era o isolamento e a fuga e sim a resistência e a autonomia. O que define o quilombo atualmente é o movimento de transição da condição de escravo para a de camponês livre.

Cabe ao município apoiar a regularização destas terras, visando maiores possibilidades a estas comunidades que com os títulos territoriais em mãos poderão ampliar o investimento em suas terras, gerando maior renda familiar e consequentemente qualidade de vida. Com as políticas públicas garantidas os quilombolas exerceram o pleno exercício da cidadania.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Couto Magalhães recebe apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Goiás

Por Rogério Rodrigues

Representantes políticos de Goiás e Mato Grosso reunidos com Secretário de Meio Ambiente

Mais um passo foi dado em direção a construção da Usina Hidrelétrica de Couto Magalhães. Representantes políticos de Santa Rita do Araguaia – GO e Alto Araguaia – MT foram recepcionados na última semana pelo Secretário de Meio Ambiente do Estado de Goiás, Leonardo de Moura Vilela.

Dentre os participantes, e consequentemente maiores interessados no assunto, estavam o Prefeito de Santa Rita, Carlos Salgueiro e a Vice-Prefeita de Alto Araguaia, Zaida Maria David de Rezende.

A pauta da reunião, realizada no Palácio Pedro Ludovico, em Goiânia, foi a construção da Usina Couto Magalhães, assunto que interessa tanto ao Estado de Goiás quanto a Mato Grosso, pois a construção da Hidrelétrica, se concretizada, será no Rio Araguaia, limite entre os dois estados, gerando benefícios de arrecadação para os dois municípios.

O Secretário Leonardo Vilela demonstrou-se favorável a construção da usina e enfatizou o apoio da Secretaria do Meio Ambiente, priorizando o processo, tornado o aproveitamento energético de Couto Magalhães uma possibilidade breve.

No fim do ano de 2010 o Governo Municipal de Santa Rita do Araguaia conquistou no Palácio das Esmeraldas o apoio do atual Governador do Estado, Marconi Perillo, que incentiva o Aproveitamento Hidrelétrico de Couto Maagalhães.

Entenda Couto Magalhães

O projeto original tem suas origens em meados de 1963, quando o então Governador de Goiás, Mauro Borges, criou a CIVAT - Comissão Interestadual dos Vales do Araguaia e Tocantins, com a finalidade de estudar o aproveitamento energético daqueles rios. No ano seguinte, após o golpe de estado, Borges foi cassado, a CIVAT extinta, e o sonho da usina perdeu um de seus maiores defensores.

Em 1976, por iniciativa do Estado de Mato Grosso, a Eletronorte projetou a barragem de Couto Magalhães, planejada para ser a primeira de três hidrelétricas no complexo Alto e Médio Araguaia - Barra do Peixe e Torixoréu seriam as outras. Quando saiu do governo, Garcia Neto, então governador do estado, deixou US$ 200 milhões alocados para a construção da Couto Magalhães. Infelizmente, por razões desconhecidas e inexplicáveis, Mato Grosso acabou perdendo esses recursos.

Para atender às determinações do IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o consórcio responsável pela obra desenvolveu uma revisão do projeto, compatibilizando aspectos ambientais e técnicos. O projeto atual prevê um reservatório cinco vezes menor que o anterior.


O Aproveitamento Hidrelétrico (AHE) Couto Magalhães foi incluído recentemente no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal, e deverá ser implantado nos próximos anos, no trecho do Alto Rio Araguaia, a cerca de 90 km da nascente, nos municípios de Alto Araguaia (MT) e Santa Rita do Araguaia (GO).

O que muda para os dois municípios

O projeto prevê a construção de uma barragem sobre o rio Araguaia, com 918 metros de extensão, 500 metros acima da Cachoeira Couto de Magalhães e deverá ocupar uma área 9,11 quilômetros quadrados na zona rural. A previsão de investimentos é de R$ 245 milhões, com a geração de 800 empregos diretos e produção de 150 megawatts.

Cachoeira de Couto Magalhães
Além dos empregos, a atração de investimentos do Estado em infra-estrutura e serviços públicos essenciais, bem como a implantação de empreendimentos agroindustriais na região, serão conseqüências naturais. Vale ressaltar o considerável aumento da arrecadação dos municípios compreendidos na área de influência da hidrelétrica.

Prevista para ser concluída em cinco anos a o Aproveitamento Hidrelétrico de Couto Magalhães já passou por duas audiências públicas em 2010, realizadas pelo IBAMA, nos dois municípios, onde foi esclarecida a população aspectos como impacto ambiental, produção de energia, geração de empregos e renda, investimentos públicos dentre outros.

Nos últimos anos muito se falou em “Usina Couto Magalhães”, mas o fato é que a população ainda não sabe ao certo se a obra será ou não uma realidade. Enquanto alguns defendem a instalação hidrelétrica no Alto Rio Araguaia a todo custo outros repudiam a obra, julgando-a devastadora. Não fecho nem com uma parte nem com a outra. Acredito que a análise dos benefícios verídicos a população e ao Estado somada a perícia minuciosa dos impactos ambientais trarão a solução adequada.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Lixo mal depositado gera transtorno em Alto Araguaia

Por: Lavousier Machry

Por: Lavousier Machry - Lixo próximo a Feira Municipal
Caminhar pelas ruas é rotina de muitas pessoas em qualquer lugar do País. É através da caminhada que se conhece ou se explora novas localidades dentro do próprio perímetro urbano. Em Alto Araguaia (sul de Mato Grosso), é comum ver dezenas de pessoas utilizando-se desta prática como exercício diário ou mesmo para ir ao supermercado, ao trabalho. Essa rotina, porém, está se tornando nada agradável aos olhos, visto que em alguns terrenos o lixo está se incorporando ao ambiente.

Em algumas ruas e até mesmo avenidas, o lixo está tomando conta destes terrenos. Na Rua 15 de Novembro (foto), um terreno situado entre a Feira Municipal e o Sine (Sistema Nacional de Emprego) vem se tornando ponto de referência quando o assunto é depósito lixo. O material depositado no local vai de garrafas pet a bobinas de papel. Na própria feira, existe um contêiner para que o lixo seja depositado, mas alguns moradores preferem jogá-lo no terreno.

A prefeitura local vem cumprindo com seu papel fazendo diariamente a coleta de todo lixo produzido na cidade. O problema não está apenas na Rua 15 de Novembro. Muitos outros pontos da cidade servem indevidamente de depósito de lixo doméstico. Todo este lixo agride a natureza e traz riscos a saúde. Alguns moradores, que não quiseram se identificar, dizem que em muitas ruas veêm pessoas jogando lixo em locais impróprios. Uma dona de casa disse estar preocupada com o lixo acumulado. Além de esconderijo para animais peçonhentos, pode acumular água e facilitar a reprodução do mosquito da dengue.

Lixo, uma questão de saúde pública
Além de causar aspecto nada agradável à cidade, o lixo depositado indevidamente também serve de criadouro para larvas do mosquito da dengue. Além disso, pode servir de depósito para outras doenças como a leptospirose, o tétano, febre tifóide, cólera, esquistossomose e até mesmo malária. A maioria destas doenças tem como agentes causadores os protozoários, bactérias e vírus que são encontrados nestes depósitos clandestinos.

Lugar de lixo é no lixo
Em âmbito nacional os dados são o espelho da realidade. No Brasil, segundo o site vestibular1.com, cada brasileiro produz em média, meio quilo de lixo por dia. Do montante, 76% dos 70 milhões de quilos produzidos por dia, são lançados a céu aberto; somente 10% é levados para lixões controlados; 9% para aterros sanitários e apenas 2% de todo material produzido é reciclado.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Audiência Pública discutirá orçamento para Santa Rita em 2012

Por: Rogério Rodrigues



O Governo Municipal de Santa Rita do Araguaia realizará nesta terça-feira, 12 de abril, audiência pública para apresentar, discutir e debater a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) exercício 2012.

A sessão será realizada às 14 horas na própria sede administrativa do Governo Municipal, situada na Rua Abílio Alves Ferreira, n 790, sala do Tele centro. A realização da audiência vem atender a Lei 4.320/64 e Lei Complementar 101/00, onde os munícipes terão acesso na íntegra aos recursos financeiros disponibilizados para o próximo ano.

Ao participar a comunidade exerce seu direito de estar informado e de poder interagir nas decisões tomadas pelo Governo Municipal, presenciando as linhas de prioridades orçamentárias para cada área do município.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Carreta afunda em asfalto no centro de Alto Araguaia


Por Chaini Rosso

A população araguaiense já esta acostumada em ouvir sobre os incidentes e transtornos que acontecem na cidade por causa das ruas esburacadas. A falta de manutenção dessas vias e principalmente da Rua Jerônimo Samita Maia, principal via de acesso da MT100 a BR364, forçam os motoristas a desviarem pelo centro da cidade.

É caros leitores, o dia da mentira já passou, mas neste dia 02 de abril por volta das 10h30min o asfalto da Rua General Osório, perto da Alto Peças e Mecânica Rainha, cedeu, quase “engolindo” uma carreta de combustível que passava pelo local.

O motorista Alcides Antonio, conhecido pelos colegas de profissão como “Bico Fino”, vinha de Alto Taquari com destino a Rondonópolis, e diz que está acostumado a usar esta rua como rota de fuga das demais vias esburacadas e enfatizou em tom descontraído que “O susto na hora não foi muito, mas depois que eu desci do caminhão começou a tremer as pernas”.  Felizmente não ouve nenhum vazamento de combustível, mas por segurança e para que o veiculo fosse retirado do local o diesel foi transferido para outra carreta. 

De acordo com a secretaria de Infra-estrutura de Alto Araguaia, há manilhas de concreto no local para escoar águas pluviais, e estas não suportaram os 45 mil litros de óleo diesel que o bi-trem transportava.
Já os morados têm outra versão para este problema. Afirmam que o buraco em cima do quebra-mola absorve constantemente à água das chuvas e impermeiam em todo solo abaixo do asfalto, levando a terra pelas redes pluviais fazendo com que o asfalto se torne uma espécie de “casca”, tornando-se uma armadilha.

Cada um tem uma explicação para o problema, mas o fato é que o incidente aconteceu e causou susto para a população e para o motorista, que ao tentar se livrar de buracos teve sua ferramenta de trabalho abocanhada por uma cratera. Agora e correr atrás do prejuízo, restaurando a via e recuperando o caminhão.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Nem tudo é samba, café e futebol


Estamos todos acostumados a assistirmos de quatro em quatro anos os jogos da Copa do Mundo de Futebol, e claro, alguns meses depois testemunharmos o horário eleitoral gratuito e obrigatório. É caros leitores, chegou a hora, nem tudo é samba, café e futebol. Morrer de rir no horário eleitoral não é coisa tão incomum para os que prestam atenção nas propostas milagrosas que são lançadas ao vento. Mas votar é um dever, essencial para exercermos nossa cidadania.


Temos que ter a consciência de que o voto talvez seja a maneira inicial de mudar o lugar onde vivemos. O aperto de Mão e o tapinha nas costas do candidato que visita sua cidade em época de eleição não passa nem perto de ser suficiente para que ele seja merecedor de seu voto, é preciso muito mais, é indispensável analisar seriamente propostas e o histórico do candidato, não só na vida pública, mas também na vida pessoal. Alguém que não consegue administrar sua própria vida, e tem a ética fora do seu dicionário, não pode representar você na Presidência, no senado, na Assembléia Legislativa e nem como secretário do Grêmio estudantil.

Os dizeres de que “O futuro do nosso país está em suas mãos”, tem lá seu lado verdade. É claro que não podemos fazer muito depois que elegemos um candidato, além de fiscalizar seu trabalho. Mas lembre-se caro eleitor, a parte verdade está nas entrelinhas, somos nós que elegemos os representantes. É bom que prestemos atenção nas propostas políticas assim como nos dedicamos a assistir um jogo do Brasil em tempos de copa. Talvez a seleção que você convoque este ano nas urnas possa fazer mais por nosso país.
Por: Rogério Rodrigues

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Crônica do destino

Vejam só como é a vida, em “tom de acaso” ela nos prega peças que nos surpreendem. Ontem, logo pela manhã, quando adentrei na TV Jataí para mais um dia de estágio, subindo as escadas para cumprimentar a equipe da televisão, antes do término dos degraus, dou de cara com a Fabélia, repórter e apresentadora da TV Jataí. Minha intenção de dar um bom dia a todos foi interrompida ali mesmo: fui convidado pela repórter para fazermos uma matéria sobre a vida de pessoas na terceira idade que moram sozinhas. Descemos as escadas antes mesmo que eu as vencesse em sentido oposto.
 
Entramos no carro de reportagem, eu, a Fabélia, e o câmeraman Joãozinho, e nos dirigimos à casa de uma senhora de quase oitenta anos, que mora, sozinha, antes passando por uma panificadora onde a repórter comprou uma dúzia de pães de queijo, cumprindo uma promessa que havia feito à senhora, de que a entrevista seria acompanhada por um café da manhã. Logo ao chegarmos à humilde casa de dona Dulce nos adentramos, o portão estava aberto, e só fomos bater palmas quando já estávamos na área de serviço.

Dona Dulce foi receptiva como uma matriarca que mata a saudade da família que há tempos não aparecia. Não tínhamos nenhum grau de parentesco, mas naquele momento era o que representávamos para ela. Após termos nos acomodado, a repórter, sempre muito falante, começou a perguntar coisas relacionadas ao cotidiano de dona Dulce, que levava a prosa em perfeita harmonia, só ficando um tanto desconfortável quando ora e outra dirigia seus olhos curiosos em direção à câmera, que até então se encontrava desligada por falta de bateria. No momento em que a simpática senhora dirigia seu olhar ou seu sorriso a mim, uma espécie de sexto sentido se faz presente, algo me chamava atenção naquela mulher.

Pelo andar da carruagem, a entrevista seria bem sucedida, já que dona Dulce correspondia bem a nossa empolgante curiosidade sobre sua vida. Em um dado momento da conversa, ouço-a dizer o seu sobrenome, Rodrigues, e, coincidência ou não, meu sobrenome também é Rodrigues, depois mencionou o nome de um de seus filhos, Elmínio. Neste momento um fato do passado se fez presente em minha memória, no passado uma de minhas tias trabalhava para um moço com este nome, e Elmínio não é um nome tão comum na cidade de Jataí.

Depois de alguns minutos de conversa, e um saboroso café que aromatizava toda casa, a repórter anunciou que a entrevista começaria, agora logicamente com a câmera em condições de uso. Dona Dulce se mostra pronta, mas um pouco nervosa. Com o papo fluindo entre repórter e entrevistada, eu tentava voltar minha atenção as técnicas usadas pelo câmera e pela própria repórter na construção de uma entrevista, mas o papo agradável me colocou na posição de espectador. Com a abordagem de assuntos como experiência de vida, solidão, dia-a-dia, aposentadoria, (benefício este que dona Dulce conta há vinte anos), eu fui me distraindo com a conversa e observando o semblante daquela senhora que não esconde em sua face suas várias primaveras vividas.

Ao fim da entrevista, com a câmera desligada e jogando conversa fora, comento com dona Dulce sobre minha tia que provavelmente havia trabalhado para seu filho Elmínio. Ela pergunta o nome de minha tia, no que prontamente respondo; Nedina. Surpresa ela me diz que Nedina é sua sobrinha. A partir deste momento talvez aquele sexto sentido começasse a ter lógica. Dona Dulce me pergunta de quem sou filho, quando a respondo que Maria Helena é minha mãe, ela prontamente diz antes mesmo que eu terminasse a frase, “Eu sou sua tia-avó, sou irmã do seu falecido avô Juca!” Naquele momento lhe pedi sua benção e nos demos um abraço, percebi que dona Dulce, minha tia-avó, estava com os olhos banhados em lágrimas, mas com um sorriso nos lábios, confesso que também fiquei emocionado, agora percebia que seus traços físicos eram idênticos aos do meu avô Juca, pai de minha mãe. Vó Dulce convidou para que a visitasse sempre que possível, e que levasse minha família.

Além de cumprir com o dever de estagiário, ganhei uma “avó” que nem sonhava existir. Será coincidência? Destino? Não sei definir tal situação. Sei que valeu a pena seguir o que considerei sexto sentido, os minutos que conversamos foram suficientes para fazer meu dia bem melhor.

Por: Rogério Rodrigues

Diamante de Sangue


O filme Diamante de sangue (Blood Diamond) tem como cenário Serra Leoa, no final da década de 90 ao meio de sua guerra civil. Seu contexto é voltado à grave problemática do contrabando de diamantes na África, muitas vezes feito pelos próprios africanos participantes de frentes revolucionárias, que usam o lucro para a obtenção de armas a fim de derrubar os governos opressores.
Edward Zwick, que dirige Diamante de Sangue, é um diretor bem conceituado, já conduziu os tão aplaudidos O Último Samurai e Tempo de Glória e mais recentemente Nova Yorke Sitiada, que não chegou a ser um sucesso de bilheteria, agora, com este longa que trata de um assunto merecedor de atenção, não está na lista dos piores nem dos melhores, mas nem por isso deixa de ser indicado, além de ser um filme muito correto, tem um roteiro interessante e atores que brilharam na interpretação.
O desenrolar do filme se da a partir do momento em que Solomon Vandy, vivido pelo ator Djimon Hounsou, encontra um grande diamante rosa, que são os mais valiosos do mundo e Danny Archer interpretado por Leonardo DiCaprio, ouve sobre o ocorrido na prisão e tenta a qualquer custo aproximar-se de Solomon para ter em mãos o diamante jurando em troca ajudar a encontrar sua família que fora separada pelas frentes revolucionárias.
O roteiro trás ainda a atriz Jennifer Connelly que vive a jornalista americana Maddy Bowen, que busca desvendar a verdade por trás dos diamantes de sangue. O encontro de Maddy e Danny tem um tom de romance, que não se desenrola e serve apenas para temperar o filme.
O longa tem muitas coincidências, deixando-o um pouco pobre e previsível. Outra falha é a não preocupação em mostrar os porquês da guerra, tocando em assuntos tão relevantes como o exército de crianças de forma muito pouco profunda. Seu foco sendo a extração e comercialização dos diamantes de forma ilegal, tenta demonstrar uma atitude consciente, mas deixa a desejar na temática política. Os dois aspectos que se destacam na obra são as cenas de ação, que se mostram bem construídas, com imagens intensas e efeitos de desorientação aparentando uma filmagem imediatista de um real conflito, e o próprio cunho político, que tenta direcionar os olhares do mundo para os povos africanos.
Chaini Rosso